Há alguns anos vivemos em
nossas ilhas: condomínios fechados, shoppings, carros com
ar-condicionado, janela insulfilmada fechada e portas travadas.
Convivemos só com nossos iguais, não ocupamos os espaços públicos por
serem “cheios de bandido e maconheiro”, temos medo daquele moleque
magrelo que ouve funk no metrô e encaramos com naturalidade quando
governantes colocam pedras debaixo de viadutos e divisórias em bancos de praça, afinal, ali não é lugar de vagabundo.
Aí, de repente, a molecada sai dos seus cantos na periferia e insiste
em ser visível. Meu Deus, eu pago meus impostos, fico meia hora
procurando vaga aqui no shopping pra poder dar um passeio saudável com a
minha família, quero poder consumir sem medo aqui onde só tem gente
como eu, afinal, eu trabalho tanto pra quê, pra poder comprar, né? Mas
pelo jeito eles insistem em invadir nosso espaço, o que aconteceu com
aquela música “Cada um no seu quadrado”? Chegam em bandos, falando alto e
com gírias que eu não entendo, com seus bonezões de aba reta e suas
calças largas com a cueca aparecendo pra nos assustar(quanto mau
gosto!), e, ainda por cima, ouvindo esse tal funk ostentação, música que
só gente sem berço poderia criar.
O que eles pensam, será que
não tiveram educação? Puxa vida, vocês podem se divertir, mas fiquem
nos seus bairros, onde vocês são quase invisíveis e eu posso continuar
fingindo que está tudo bem enquanto eu tiver dinheiro pra ter meu carro e
fazer compras no shopping. Volto a repetir: cada um no seu quadrado!
Mas tudo bem, o shopping nos protege, ele entra na Justiça, e como a
Justiça adora manter as coisas como são pra evitar problemas, ela proíbe
o rolezinho. O quê? Eles vieram mesmo assim? Tou dizendo que esses
vândalos não respeitam nada, não têm educação, que escola será que eles
frequentaram, hein?
Sorte que existe a polícia, né? E dá-lhe
bala de borracha, gás de pimenta e cacetada nessa molecada que insiste
em estragar o passeio das pessoas de bem nesse templo sagrado que é o
Shopping Center.
segunda-feira, 13 de janeiro de 2014
sexta-feira, 8 de novembro de 2013
A fidelidade masculina
Não vou escrever sobre por que os homens traem, nem se traem
mais ou menos do que as mulheres. Na verdade acho que ambos traem com a mesma
frequência, talvez por motivos diferentes; o que acontece é que, enquanto uma
mulher pode sair durante meses com o cara que ela conheceu na academia sem nem
a irmã saber, o cara sai duas vezes com uma mulher do trabalho e logo até o
porteiro tá sabendo.
Mas hoje vou falar sobre a fidelidade dos homens ao seu
barbeiro ou cabeleireiro. Muitas vezes ouvi mulheres com quem trabalhei falando
que a Márcia tá com um preço ótimo nas luzes, que a Fátima faz a melhor escova
permanente da cidade ou que quando a ocasião é especial ela vai ao salão da Fabíola,
porque lá dá pra fazer tudo em um lugar só.
Homem em geral não faz isso. Ok, deve ser estranho pra quem
me conhece eu escrever sobre esse assunto, afinal, sou careca há uns sete anos.
Mas, embora ainda escute risinhos quando digo que estou indo cortar o cabelo,
eu vou. No meu primeiro corte, quando tinha um ano e cabelo encaracolado, meu
pai me levou ao barbeiro dele, e lá fiquei até meus 13 anos. Só parei porque
ele ficou velho e coincidentemente ficou doente quando começou a cortar orelhas
e deixar falhas no cabelo dos fregueses. As falhas ele deixou no meu cabelo, o
corte foi na orelha do meu pai. Aí passei mais uns dois anos cortando com dois
caras que tinham salão meio longe, ficaram careiros e depois cada um teve seu
salão, mais uns quatro em um cabeleireiro perto de casa, e parei quando ele
resolveu que não ia mais cortar cabelos, mas fabricar sacolas de plástico pra
supermercados.
Coincidentemente, foi aí que comecei a fazer Tiro de Guerra
(pra quem não sabe, é um quartel mais light, só de manhã e umas 2 ou 3 guardas
por mês) e de 15 em 15 dias dois cabeleireiros iam lá raspar nosso cabelo pela
metade do preço que cobravam. Um deles, mesmo recebendo menos, fazia o trabalho
direito, enquanto outro fazia correndo. A gente sabia só de olhar pros cabelos
uns dos outros com quem você tinha dado a sorte ou azar de raspar o seu.
E aí entra a tal fidelidade. Desde então eu raspo meu cabelo,
e de um ano pra cá acerto a barba, com esse mesmo cara, o Fabiano, o que
raspava direito. É um ritual ir ao barbeiro/cabeleireiro, é a oportunidade de
falar sobre política, trabalho, mulher e futebol sem se preocupar, simplesmente
ir falando o que der na telha. Hoje vejo que essa fidelidade tem paralelo com
outra fidelidade, a de uma pessoa a seu time de futebol: ele é santista, viúva
de Pelé, Robinho e agora Neymar, eu sou corinthiano, atualmente viúvo de gols.
Em 99, ano em que fiz o Tiro de Guerra, o Corinthians tinha
provavelmente o time mais forte tecnicamente da sua história, com Dida, Rincón,
Vampeta, Marcelinho, Luizão, Edilson, Ricardinho; o Santos tinha um time mediano
e vinha em um jejum de 15 anos sem títulos. Essa fidelidade passou pela (semi)final
antecipada do Paulista de 2001, em que quem vencesse estava com a mão na taça,
pois com certeza derrotaria o Botafogo de Ribeirão na final. O Corinthians fez
um gol nos acréscimos e eu tive combustível pra tirar sarro dele no meu próximo
corte. Aí veio 2002, e aquela final em que Robinho e Diego acabaram com meu
time, então o favorito. Teve 2004, em que o Santos foi campeão e o Corinthians
precisou do Tite pra sair da zona de rebaixamento para terminar em um então
mais que suficiente 5º lugar.
Claro, não posso deixar de lembrar aquele eterno 7 x 1 em
que Nilmar e Tevez deitaram e rolaram, esse foi mais ou menos como a pedalada
do Robinho, um tirava sarro e o outro nem tinha o que dizer, só sorria amarelo.
Aí vieram Ronaldo, Neymar, os times ganhando Libertadores em anos consecutivos
e ultimamente nenhum dos dois tem muito o que dizer, o Santos tem um time meia-boca e o
Corinthians um time forte no papel, mas que na prática não faz gol nem com
macumba ou reza braba e que dá sono de assistir.
Mas e aí, eu continuei morando em Avaré todo esse tempo pra
continuar cortando cabelo com o mesmo cara? Não, de 2000 pra cá morei um tempo
em Londrina, em Santos e Botucatu, anos em Bauru, um ano em São Paulo e agora estou
há mais de dois anos em Campinas. Mas nas minhas idas mensais a Avaré sempre
teve isso, ir ao Fabiano dar uma acertada na careca, tirar sarro do Santos ou
aguentar ele tirando sarro do Corinthians.
Aliás, Fabiano, vai abrir o salão no sábado do feriado?
quinta-feira, 24 de outubro de 2013
Sobre pessoas e gavetas
Temos mania de engavetar as pessoas. Não tou falando no
sentido de guardar pra depois, mas de separar as pessoas em gavetas, como a
gente faz com cuecas e meias. As meias vão nessa gaveta, as cuecas naquela...
Uma meia não serve como cueca, uma cueca não dá pra usar como meia.
A questão é que pessoas não são meias nem cuecas, e a gente
as classifica porque é mais cômodo, mas fácil ver as pessoas assim. Acho que
algumas obras de ficção também ajudam, elas estão cheias de estereótipos,
poucos autores são capazes de passar a complexidade que é o ser humano.
Se a gente não conhece alguém, mas sabe que essa pessoa
gosta de muito de ler, provavelmente vamos pensar nela como o gordinho tímido
que mal consegue fazer contato visual, se alguém diz que gosta de novela,
pensamos que deve ser alienada, se admite que gosta de ir à academia, deve ser
daqueles que não sabem nem o nome do prefeito e malemá escreve o nome. Se uma
mulher transa no primeiro encontro, vai pra gaveta das fáceis,- como se uma
pessoa seguir a própria cabeça e fazer o que sente vontade fosse defeito- se um
cara te trata bem, é pra gaveta dos legais, se trata com desprezo, deve ser a
versão acessível do Wolverine. E a gente repete esse padrão em tudo, na visão
política, no trabalho...
Quantas vezes não nos permitimos conhecer direito alguém,
seja um amigo, colega de trabalho ou alguém por quem temos ou que tem na gente
algum interesse pessoal? Quantas vezes colocamos as pessoas numa gavetinha e
não permitimos que ela mostre que é muito mais do que a gente está vendo, que gaveta
não é lugar pra pessoas?
Na época de Unesp cansei de ouvir o pessoal da comunicação
dizendo que engenheiro é tudo tapado e engenheiro dizendo que na comunicação só
tinha vagal e bicho grilo. Claro que eu também já fiz brincadeiras assim, mas me
cuidava pra que isso ficasse só na piada, na provocação. Nunca deixei de ser
amigo de alguém porque ele parecia se
encaixar em uma gaveta que não me agradava. Se a gente percebesse quanta gente
legal deixamos de conhecer porque nos recusamos a vê-la como uma pessoa real,
cheia de contradições e paradoxos...
Não vá pelo caminho mais fácil, não coloque as pessoas numa
gaveta etiquetada, elas são mais complexas do que parecem dentro das gavetinhas
que você criou na sua cabeça. Ah, se isso tem algo de autobiográfico? Claro, eu gasto
dinheiro com livros e whey protein e não sou nem o gênio letrado nem a porta
bombada que só sabe contar o número de repetições do supino.
quarta-feira, 26 de dezembro de 2012
Crescendo
Aprender a pegar laranja e
mexerica no pé com os tios, aprender os nomes dos bichos de plástico com um
deles, querer ajudar o pai a consertar a moto da empresa e quebrar o farol na
martelada. Ouvir história do Cascão, brincar de jogo da memória com sua tia,
ganhar e até hoje não saber se você era bom ou se ela deixava, apanhar morango
na horta com a outra tia, esperar sua tia de Santos no Natal. Dormir à tarde
pra poder ver filme que acabava tarde, crescer brincando na rua de terra, brincar
de Playmobil fazendo buraco nessa rua de terra. Polícia e ladrão, mãe da rua,
esconde-esconde e pega-pega na rua sem perigo de ser atropelado. Esperar os
primos na Páscoa, nas férias de julho e no Natal. Ir com eles comer cachorro
quente nos trailers da Concha Acústica e depois tomar sorvete na Eiffel ou na
Golfinho. Jogar bola na rua e no quintal da vó até ela xingar porque quer ver
televisão. Ver sua mãe ir na sua escolinha descobrir qual o doce que você viu
um menino comendo e tá com vontade. Ir pra escola sozinho desde pequeno sem
isso ser nem um pouco perigoso. Ver sua cachorrinha correr pelo quintal, ficar
velhinha e morrer dormindo, jogar capucheta com pedra pra cima e na queda essa
pedra acertar a cabeça duma criança bem quando seu pai tá passando. Jogar bola
na rua de cima. Soltar pipa que o seu amigo empinou pra você porque você não
sabe, bolinha de gude que você é meia-boca, bater bafo, jogar botão e finalmente
ser bom numa brincadeira dessas tradicionais. Trocar figurinha do Campeonato
Brasileiro, da Copa e do Ping-Pong.
Ter uma das letras mais feias e uma das
melhores notas da classe, ser representante de classe sem saber exatamente pra
que serve além de buscar giz pra professora. Ver a primeira Copa na hora do
almoço e achar a coisa mais legal do mundo, comemorar o primeiro Brasileirão do
Corinthians levado nas costas pelo Neto, ir brincar na casa dos amigos de
escola, não gostar de videogame, passar a gostar de videogame, assistir Mundo
da Lua, pegar santinho no chão em dia de eleição. Mudar de casa, fazer amizade
com a molecada da rua nova, jogar bola na rua nova o dia inteiro, ter um time
pra jogar contra time de outros bairros, outras escolas, outras ruas. Estudar
inglês desde pequeno, ser ruim em matemática na escola mas aprender a fazer
conta de cabeça e perceber que você faz dum jeito esquisito como seu tio, andar
de bicicleta com uma gangue duns 15 moleques nas noites quentes, achar superlegal
quando seu tio de Brasília chega do nada numa quinta-feira e quer ir pra
represa, descobrir o computador mas logo achar que não tem muita graça e só
voltar a ele anos depois. Assistir Anos Incríveis e quase decorar os diálogos
de tanto ver, começar a ter bronquite, entrar no tae kwon do, ser escalado pra jogar de volante e ir pra frente tentar fazer gol,
entrar pra natação, fazer acupuntura e sarar da bronquite. Sair da natação
porque acha chato, entrar na musculação porque pesa 49kg, ser um adolescente
cheio de amigos mas meio tímido, saber os nomes dos jogadores de todos os times
da Copa, ver o Romário arrebentar na Copa, descobrir que o Aldair joga muito,
detestar o São Paulo por ganhar tudo, detestar o Palmeiras por ganhar tudo,
simpatizar com o Santos por não ganhar nada.
Começar a ir na domingueira com 13
anos, começar a sair de sábado com 15 sem seus pais acharem que você vai morrer
ou ser sequestrado, comer cachorro quente no China ou lanche no Cavalinho. Passar
pela moda da botina, da camisa xadrez, do moletom Hard Rock e Planet Hollywood,
faltar na primeira aula da segunda porque a domingueira foi cansativa. Ver o
Gamarra jogando e descobrir que zagueiro também pode ser craque, ver seu time
ganhar dois Brasileiros seguidos com um time de dar inveja, achar que quer cursar
Educação Física, usar esparadrapo no braço pra dizer que foi fazer exame de
sangue, poder dormir mais e entrar na segunda aula, parar de usar essa desculpa
quando a inspetora começa a olhar estranho. Terminar o colegial sem saber o que
vem pela frente mas achando que obviamente vai dar tudo certo, fazer 18 anos, perder
dois amigos logo que o colegial acabou e descobrir do pior jeito que não é só
velho que morre, dar ainda mais valor aos seus melhores amigos. Ter 18 anos e
achar que já cresceu. Mal sabia eu que ainda tinha muito pela frente.
quarta-feira, 17 de outubro de 2012
Não é só mais um caso de nostalgia...
Mudar de cidade e começar do zero nunca foi problema pra
mim. Procurar onde morar, recorrer a amigos que já moram na cidade, conhecer
uma nova vizinhança, olhar o mapa da cidade para não me sentir perdido,
descobrir quais linhas de ônibus levam pros lugares que preciso ir, achar uma
academia, mercado, nada disso é problema pra mim, pelo contrario, eu gosto.
Entre passagens bem curtas e maiores, essa é minha sétima cidade. Hoje, moro em
Campinas.
Há cerca de 10 dias fui para Avaré votar, como faço desde
1996. No sábado saí para andar, ver a movimentação eleitoral, ver como estava a
cidade. No domingo votei na minha antiga escola, fui com meu pai até onde ele
vota, vi pessoas, vi mais lugares familiares. E foi então que eu tive certeza
de algo que talvez eu já soubesse, mas que nunca havia parado pra pensar. Estou
bem em Campinas, gosto do meu trabalho, fiz novos amigos, retomei contato com
outros e a cidade não tem aquele frio avareense que nunca me agradou. Talvez eu
viva aqui o resto da vida, talvez me mude de novo, quem sabe? Mas por mais que
esteja bem com meu presente, Avaré está em mim, em quem eu sou, no meu sotaque
caipira, é o lugar em que eu sempre terei casa.
Vivi lá até meus 20 anos, meu tetravô fundou a cidade, toda
minha ascendência paterna, tanto pelo lado da minha vó quanto do meu vô está lá
desde a fundação, quando a cidade ainda era um povoado e se chamava Rio Novo.
Foi lá que minha mãe ficou, casou e fez sua carreira, depois de morar em 10
cidades até os 17 anos. É naquela vizinhança, perto da CAIC, do Industrial, do
Bar do Seu Dito e da linha do trem, que eu cresci; é ali que os vizinhos mais
velhos que talvez nem se lembrem do meu nome dizem oi pra um dos meninos que
viram crescer, o filho do Abel, neto do Apparecido e da Therezinha. E foi no
quintal desses dois que eu brinquei, joguei bola, esperei meus primos nas
férias de julho e no Natal. Foi ali que um tio me ensinou a apanhar laranja do
pé, mesmo que até hoje eu não consiga tirar a casca inteirinha como ele, foi
quando eu morava ali que outro tio me emprestou os primeiros CDs que eu ouvi,
que uma tia me levava na horta do meu vô pra colher morango e que outra tia
contava a história do Cascão que colecionava tampinhas de garrafa e pneus
velhos. Além desses, havia os que moravam fora, que eu esperava ansioso pois
com eles vinham meus primos. É ali que mora minha vó, que sempre pergunta de
mim pros meus pais e é ali que 8 anos depois ainda sinto falta de alguém
quando chego e não vejo meu vô.
Nessa cidade tive meu primeiro emprego, ali fiz amigos pra
vida toda, gente com quem eu cresci, brinquei, entrei em brigas, joguei bola e
comecei a sair, quando íamos nas domingueiras da Associação. O começo da minha
história está ali, e ali estão as pessoas para quem eu talvez nunca tenha dito,
mas que sempre pude contar a qualquer momento, meus pais. E só agora, aos 32
anos, paro e vejo o óbvio, a cidade que foi praticamente meu nome durante a
faculdade e que pra muitas pessoas é meu nome até hoje, a cidade do interior
com tudo de bom e de ruim que cidades pequenas têm, o lugar do frio gelado que
sempre ataca minha rinite é um lugar que sempre vai fazer parte de quem eu sou,
sempre vai ser uma parte muito importante da minha vida. E isso não é só mais um caso de nostalgia...
quinta-feira, 11 de outubro de 2012
Como a política pode ensinar a só enxergar em preto e branco
Época de eleição é uma época em que aprendemos muito. Eu, por
exemplo, aprendi duas respostas que tou pensando em usar quando fizer alguma
cagada:
- Thiago, você não
pagou aquela conta que pedi e ficou com o dinheiro pra você?
- Eu não paguei, mas
todo mundo faz isso, todo mundo deixa de pagar e gasta em cerveja. Mas o PIG,
Partido da Mídia Golpista, fala como se só eu não pagasse, são uns vendidos.
Isso é culpa da Veja, eu sou inocente! Além do mais, fiz isso pelo bem comum,
antes de eu fazer isso tudo era pior e bem mais injusto, nunca antes na história
dessa conta que eu não paguei esteve tudo tão bem.
OU
- Thiago, por que você
xingou aquele cara que tava pedindo um prato de comida perto do restaurante?
- Eu não xinguei, só
não aguento essa gentinha, sabe esse tipo que só quer se encostar no bolsa
família? Bando de vagabundo, se tem gente pobre que consegue virar juiz, como
nosso herói Barbosa, por que esse safado da frente da padaria não vai
trabalhar? Culpa desses petralhas que inventam essa história de cotas, que
falam como se nosso pais não desse as mesmas chances pra todo mundo, é só
querer! Comunistinhas safados!
Pronto, com duas respostas-padrão dadas pelos dois lados da força
você enrola e, se precisar, ainda joga a responsabilidade pelo que fez nas
costas dos outros. Sem falar que um monte de gente te olha admirada, pensando
que você é um cara politizado, inteligente. Viu como a gente aprende com o
pessoal que tem consciência política? O que seria de nós, reles mortais, se não
fosse esse pessoal que vê tão claramente o bem e o mal em tudo, né? A gente
fica achando que as coisas tem várias nuances, mas o pessoal politizado nos salva
quando mostra quem é o mocinho e quem é vilão. Obrigado Paulo Henrique
Amorim, obrigado Reinaldo Azevedo, obrigado Pereio, obrigado Roger, sem vocês eu
seria somente mais um alienado ingênuo.
Mas peraí, e agora,
que lado está certo, quem tem razão? Ah deixa pra lá, vocês são só dois lados
da mesma moeda, gralhas donas da verdade que só enxergam em preto e branco. Eu,
felizmente, também enxergo outras cores.
quarta-feira, 26 de setembro de 2012
Protógenes e a "censura do bem"
O que primeiro chama a atenção no fato do Deputado Federal
do PC do B de São Paulo, Protogenes Queiroz, querer que tirem dos cinemas o
filme TED é a patetice de ir a um filme para maiores de 16 anos com o filho de
11, ficar escandalizado e tentar enquadrá-lo como se fosse um filme infantil
com mensagens que desvirtuariam as crianças e a juventude. Também acho isso
motivo de riso, mas eu vejo outra coisa nesse episódio: o autoritarismo e o ainda
presente gosto pela censura.
Pessoas e instituições com poder, como governos, chefes, etc.
costumam censurar algo ou alguém basicamente por duas razões: para manter o
poder e privilégios ou por uma suposta vontade de proteger os "mais
fracos", que teriam menos discernimento pra entender as coisas,
diferenciar o que é certo ou errado (conceitos muitas vezes discutíveis), ou
seja, para proteger aqueles que ele considera menos capazes. Eu tenho mais medo
do segundo tipo. O primeiro é claramente canalha, se ele é disfarçado a máscara
cai facilmente. Já o segundo... o segundo vem acompanhado de uma aura de boas
intenções, de defesa da moral e dos oprimidos, movido por uma pretensa vontade
de fazer o bem. É um tipo de censura que coloca quem vai contra ela como
alienados, ingênuos ou mal intencionados, em um tipo de raciocínio ultrapassado
de quem só enxerga as coisas em preto e branco, 8 ou 80.
É um pensamento que infantiliza, supondo que as pessoas não
podem pensar por si mesmas, já que não têm discernimento para definir o que
elas é bom ou ruim, o que consideram apropriado ou não. Esse pensamento é
primo-irmão daquele expresso em várias campanhas políticas, quando o candidato
se coloca como o pai dos pobres, o ungido que vai “cuidar” das pessoas.
Eu digo não a qualquer tipo de censura, eu quero poder ler,
assistir e ouvir o que tiver vontade, quero eu mesmo definir o que é bom pra
mim ou pros meus filhos, se os tivesse. Portanto, obrigado, deputado, eu
dispenso sua tentativa de salvar os valores morais e de me dizer o que eu devo ou
não assistir.
sexta-feira, 13 de abril de 2012
O que o fracasso do Flamengo ensina sobre talento, profissionalismo e comprometimento
A eliminação na primeira fase da Libertadores mostra que somente talento não ganha jogo. Ronaldinho Gaúcho tem a sorte de estar em uma das atividades que, ao lado do Cinema e da Propaganda, possibilitam que você trabalhe por anos vivendo do passado. O diretor ganha um Oscar, seu filme é elogiado pela crítica e sucesso de público, por anos ele terá milhões para produzir novos filmes, mesmo que acumule um fracasso após o outro. Na propaganda há profissionais que bolaram uma campanha que alavancou as vendas do cliente e ganhou vários prêmios, com isso têm emprego garantido por anos. No futebol isso também acontece. Ronaldinho vive há anos do que foi de 2004 a meados de 2006, mais especificamente até a Copa de 2006. Nesse período, o Barcelona ganhou títulos, a Seleção Brasileira tinha nele a estrela mais brilhante do seu “quadrado mágico” e ele só não fez chover. Uniu o lúdico, o espetáculo, à eficiência e títulos. De lá pra cá um drible, um belo gol ou um passe genial deixam todo mundo na esperança de que o velho Ronaldinho esteja de volta. Não está, e essa esperança exagerada em Ronaldinho é só parte da explicação para o fracasso do Flamengo, que se era sabidamente mais fraco do que os demais brasileiros na Libertadores, certamente tinha time pra passar da primeira fase sem maiores esforços.
O fiasco se explica pelo fato de que só talento não basta. É necessário comprometimento, profissionalismo. A época em que Garrincha podia chegar bêbado depois de uma noitada e ainda assim acabar com o jogo passou. Os melhores jogadores do mundo, Messi, Cristiano Ronaldo e Neymar, são atletas altamente preparados e comprometidos com seus times e com suas carreiras, profissionais com talento, mas também com muita vontade de vencer, coisa que Ronaldinho e Adriano, um tiro no pé que o Corinthians deu e o Flamengo está prestes a repetir, definitivamente não têm mais. Acredito que não apenas no futebol, mas em qualquer área, uma pessoa que não tenha tanto talento, mas seja comprometida de verdade, que se aperfeiçoe, estude, a médio prazo vai ser melhor sucedida do que uma preguiçosa de talento, aquela estrelinha que não está nem aí pra nada. Não estou fazendo uma ode à mediocridade, admiro pessoas talentosas, é o talento que fascina, é o talento que atrai. O futebol não seria mágico com 11 Ralfs de cada lado, mas um só Neymar atrai velhos, crianças, homens e mulheres. Só acho que quando se soma talento e trabalho temos algo quase imbatível, vejam o Barcelona.
Além disso, temos no Flamengo a popular zona. Um time administrado porcamente, onde todo mundo manda mas ninguém manda. Um time que passou anos rondando a zona do rebaixamento, mas que se aproveitou da boa fase de Petkovic e do canto do cisne do Adriano para ganhar o Brasileirão 2009, e que, apesar de ter a maior torcida do país, não tem um time à altura da sua tradição. Talvez ele devesse ser rebaixado, foi assim que o Corinthians melhorou. Claro que o Corinthians não é nenhuma maravilha, quem até pouco tempo era seu presidente é um cartola falastrão que se une a quem quer que seja se for conveniente, a diretoria tem relações no mínimo questionáveis com algumas torcidas organizadas, mas chegar ao fundo do poço fez o time olhar de maneira profissional pro marketing, arrumar a casa e dar vida maior aos seus técnicos, mesmo quando estes estão sob forte pressão.
O que aconteceu com o Flamengo pode servir de lição, não somente ao próprio Flamengo, mas aos demais times e a todos nós. Viver do passado glorioso não basta, ter talento e não suar a camisa não é mais suficiente. Comprometimento é uma palavra surrada, gasta, mas ainda é um elemento-chave para vencer.
terça-feira, 20 de março de 2012
O que importa são as pessoas
Hoje tive um dos sonhos mais reais da minha vida. Eu acordava no passado, em uma casa que morei até os meus 13 anos. Via meu vô e uma tia do meu pai, ambos morreram há alguns anos.
O sonho serviu para me mostrar que nem sempre aproveitamos a companhia das pessoas, nem sempre aprendemos tudo que podemos com elas, poucas vezes lhes dizemos o quanto são importantes.
Não deixe de ver sua família para trabalhar horas a mais. Não recuse um convite porque vai ser trabalhoso chegar. Não deixe de ir a um bar com os amigos para ver novela. Você não é insubstituível no trabalho, mas certamente é para os seus pais, seus filhos. A novela não vai fazer a menor falta, mas seus amigos querem sua presença.
Sua bolsa ser Vitor Hugo não tem a menor importância, ter na garagem um Uno 94 ou uma Mercedes 0km não definem quem você é. O que te define é como você age em relação às pessoas. Se tem a melhor das intenções mas suas ações não resultam em algo positivo para pelo menos uma pessoa (além de você, espertão!), o que adianta?
Pra que se matar por um celular de última geração? Pouco importa se você tem uma casa na praia mais badalada. Você pode ter tudo isso mas, no final das contas, o que realmente importa são as pessoas.
Esse sonho e esse texto também são um puxão de orelha pra mim. Não me mato por bens materiais, mas muitas vezes sou negligente com as pessoas que gosto. Meu avô morreu sem eu ter ouvido todas as histórias que podia ter ouvido, minha vó tem 80 e poucos anos e não vai viver pra sempre, meus amigos a toda hora dizem que eu sumo. Hora de mudar... E você, tem dado valor ao que realmente importa?
O sonho serviu para me mostrar que nem sempre aproveitamos a companhia das pessoas, nem sempre aprendemos tudo que podemos com elas, poucas vezes lhes dizemos o quanto são importantes.
Não deixe de ver sua família para trabalhar horas a mais. Não recuse um convite porque vai ser trabalhoso chegar. Não deixe de ir a um bar com os amigos para ver novela. Você não é insubstituível no trabalho, mas certamente é para os seus pais, seus filhos. A novela não vai fazer a menor falta, mas seus amigos querem sua presença.
Sua bolsa ser Vitor Hugo não tem a menor importância, ter na garagem um Uno 94 ou uma Mercedes 0km não definem quem você é. O que te define é como você age em relação às pessoas. Se tem a melhor das intenções mas suas ações não resultam em algo positivo para pelo menos uma pessoa (além de você, espertão!), o que adianta?
Pra que se matar por um celular de última geração? Pouco importa se você tem uma casa na praia mais badalada. Você pode ter tudo isso mas, no final das contas, o que realmente importa são as pessoas.
Esse sonho e esse texto também são um puxão de orelha pra mim. Não me mato por bens materiais, mas muitas vezes sou negligente com as pessoas que gosto. Meu avô morreu sem eu ter ouvido todas as histórias que podia ter ouvido, minha vó tem 80 e poucos anos e não vai viver pra sempre, meus amigos a toda hora dizem que eu sumo. Hora de mudar... E você, tem dado valor ao que realmente importa?
sexta-feira, 6 de janeiro de 2012
Valeu, Marcão!
No futebol, pouquíssimos atletas superam rivalidades entre clubes. Nesses 21 anos acompanhando futebol, não me lembro de ídolo acima de qualquer rivalidade como o Marcos.
A hora da aposentadoria chega cedo para jogadores de futebol. Há alguns anos ele mal jogava, não conseguia ter sequência, estava sempre se machucando. Ainda assim, quando jogava, mostrava que é realmente acima da média. Foi fundamental no título da Libertadores que o Palmeiras venceu em 99, foi tão importante quanto Ronaldo e Rivaldo na Copa de 2002, e só não ganhou como melhor goleiro daquele torneio porque era preciso agradar os alemães, vice-campeões e futuros anfitriões da Copa.
Entretanto, o grande talento mostrado dentro de campo torna-se secundário quando comparado a tudo que o Marcão representa fora dele. As declarações sinceras de cabeça quente, as piadas com as próprias falhas (e não foram poucas, mas todas sempre perdoadas), o fato de sempre dar a cara a tapa nos piores momentos do seu time, a autenticidade em uma época em que as declarações não saem da mesmice e são guiadas por assessores de imprensa ou por uma ética boleira que condena uma embaixadinha, mas considera porrada sinônimo de raça; tudo isso faz do Marcos uma figura única, daquelas que em alguns anos vamos contar aos nossos filhos ou primos mais novos: “eu vi essa cara jogar!”. No meu caso, vi eliminar meu time da Libertadores, mas nunca tive raiva dele, sempre o admirei muito. Aliás, como não gostar de alguém como o Marcos? Como não admirar alguém que poderia ter ficado milionário indo pro Arsenal seis meses depois de fechar o gol da seleção campeã do mundo, mas preferiu ficar no seu time de coração, jogando na segunda divisão? Isso sem falar na humildade, sempre relatada por todos. Atendia bem do estudante de jornalismo do interior ao figurão da TV aberta. Nunca foi de fazer média com ninguém, seu sucesso foi baseado em trabalho e talento, não em ações de marketing ou relações obscuras.
Nos últimos anos vi muitos jogadores que admirei ou que torci se aposentarem: Romário, Zidane, Bebeto, Cafu, Neto e muitos outros. Só duas aposentadorias mexeram comigo: a do Ronaldo, último ídolo do meu time e que também mereceu um post, e agora a do Marcos, goleiro do time rival. Aliás, como eu sempre digo, o Marcos pode entrar com a camisa do Palmeiras no meio da torcida do Corinthians em dia de clássico que ninguém encosta nele, ainda sai tirando fotos e dando autógrafos.
Valeu, Marcão! Vamos sentir falta das suas declarações folclóricas, vamos sentir falta da sua sinceridade. Um dos caras mais carismáticos que já vi e alguém que me deixa orgulhoso de falar puxando R. Finalizo com uma paráfrase livre do Erich Beting: o Marcos mostra que em um meio sujo como o futebol ainda é possível vencer sendo honesto e tendo caráter.
segunda-feira, 10 de outubro de 2011
Nunca esqueça suas raízes
Raízes, o lugar de onde viemos, as pessoas que nos criaram, as pessoas com quem crescemos. Algumas pessoas acham que só sociedades indígenas ou sertanejas deveriam valorizar as suas, que em geral não deveríamos nos prender a raízes.
Eu acho que nenhum de nós deve esquecer as nossas. Nem aquele cara que apanhava dos pais, que sofria bullying na escola (quando ainda nem tinha esse nome) e tem todos os motivos do mundo pra esquecer completamente o passado. Ele deve ter sempre em mente o lugar de onde veio, a vida que levou, para superar e saber que pode ser melhor do que ele mesmo pensava.
Felizmente estou no grupo dos que podem olhar pra trás e ter muito mais boas lembranças do que más. Há alguns dias estive em um casamento com meus pais e alguns amigos. Dentre esses, estavam dois que cresceram comigo, com quem estudei a vida toda, com quem tomei meu primeiro porre, pessoas de um grupo de cinco amigos que estavam juntos todo final de semana, seja saindo a pé ou apertados em um Uno. Hoje cada um vive em uma cidade, cada um tem seu cotidiano, teve e tem suas conquistas, seus problemas, fez novos amigos, enfim, cada um segue sua vida. Mas a maneira que me senti estando ali me fez pensar que nosso passado é uma parte muito forte de nós mesmos e que, muitas vezes, não damos valor a ele.
Gostamos de acreditar que somos completamente autônomos, que o passado não importa mais, que o que valem são o presente e os planos pro futuro, mas, aos 31 anos e depois de mais uma mudança de cidade, tive a certeza de que as pessoas e lugares que fizeram parte da minha vida nos meus primeiros 25 anos sempre estarão comigo em tudo que eu pensar, sentir, fizer, pelo resto da vida. Claro que fazemos coisas que não fazíamos antes, tentamos, erramos, acertamos, descobrimos, deixamos de lado algumas coisas, passamos a ter novos valores, mas é sempre bom lembrar nossas raízes, saber o que nos tornou quem somos. Provavelmente vem daí o uso da palavra “raízes”. Podemos até não enxergar, mas elas estão ali. E sem raízes qualquer vento pode nos derrubar.
segunda-feira, 13 de junho de 2011
A moda é ser nerd
Com a quantidade de nerds que ficaram milionários virou moda se dizer um nerd. Mas como quase toda modinha, essa também é furada. Ter um iPad2, twittar do seu Blackberry, usar camiseta de super-herói e endeusar o Steve Jobs não fazem de você necessariamente um nerd.
Nerd era aquele cara gordinho ou muito magrelo que, ao contrário da maioria da criançada, detestava as aulas de Educação Física e geralmente gostava muito da aula de ciências. Era apaixonado pela bonitinha da classe, mas nas poucas vezes em que havia uma tentativa de diálogo, ele gaguejava e olhava pro chão ou pro caderno e a menina ia embora, achando ele um esquisito.
O nerd passava boa parte do tempo livre estudando, vendo Cavaleiros do Zodíaco ou lendo Senhor dos Anéis e imaginando como seria bom viver naquele mundo. Você caro modinha, sofria o tal bullying na escola? E não tou falando de amigos tirando sarro no dia em que você foi à escola com uma calça furada ou moleques fazendo trocadilhos com o nome das mães. Isso chama-se zueira, e é importante pro moleque ficar ligeiro e desenvolver raciocínio rápido. No dia em que você é o alvo, precisa pensar logo numa maneira de jogar o foco no topete do outro, ou fazer um trocadilho com o nome da irmã do cara que diz que viu seu pai comprando viagra. Pro nerd não tinha esse “revezamento”. Ele era atacado todo dia por todo mundo, tinha uns 35 apelidos nada lisonjeiros e até apanhava porque tirava nota boa de física, quando todos os outros penavam pra tirar a nota mínima.
Você deve estar pensando, taí um nerd, pra saber tudo isso. Não, apesar de ter sido razoavelmente estudioso até o segundo colegial, sempre tive amigos, nunca usei óculos, não li os livros do Senhor dos Anéis, não tinha camiseta do Star Wars, por alguma razão as pessoas costumam gostar de mim e a aula de educação física era de longe minha preferida.
Enfim, você que gosta de novidades de tecnologia e fica postando coisas no seu facebook enquanto tá numa festa ou num restaurante com os amigos, você NÃO é um nerd! Gostar de tecnologia quase todo mundo gosta, e ficar na internet enquanto está com os amigos... bom, só acho isso meio babaca mesmo, ao invés de aproveitar o lugar e a companhia fica aí, escravo desse aparelhinho.
quarta-feira, 1 de junho de 2011
O mundo tá ficando chato
De uns tempos pra cá algumas coisas estão bem mais chatas. O merthiolate já num pode nem arder, os cigarrinhos de chocolate são condenados porque incentivam o fumo e hoje li mais uma coisa que me fez ter certeza que as coisas já foram mais legais: alguns prédios multam pessoas que falam palavrão em dia de jogo e alguns aplicam multa até se estes são falados numa pelada na quadra do condomínio. O futebol, que sempre foi acompanhado de palavrões, agora tem de ser higienizado, todos devem se comportar bem, afinal as famílias e as crianças não podem ser expostas a palavras de baixo calão. Imagina só, se as crianças de hoje não aguentam nem um remédio que arde um pouco, o que dirá ouvir termos chulos. Mais uma tentativa de poupar crianças do que elas vão encontrar fora dos muros do prédio, mais uma regra, uma lei, quando deveria existir apenas o bom senso de pegar leve com a mãe daquele perna de pau que sempre cai no seu time cada vez que ele erra um passe.
Qual será a próxima regra ou lei? Proibir os rodízios de carne de servir picanha com gordura? Afinal, carne gorda faz mal, e a busca pela saúde perfeita é a regra. Que tal exames de colesterol, glicemia e pressão alta 4 vezes por ano desde o maternal? Queremos crianças saudáveis, crianças perfeitas não queremos?
Ah, talvez nosso legisladores também possam criar uma lei que determine quais assuntos podem ser objeto de piada. Minorias não podem, é preconceito e as pessoas não podem se deparar com conflitos ou situações em que precisem exercer sua capacidade de argumentar contra algo que as ofenda ou que não concordem, elas precisam ser poupadas.
É bom também que se proíba a venda de alimentos com muito sal, açúcar, farinha refinada e gordura. Mais fácil proibir do que informar as pessoas sobre quais os malefícios de qualquer consumo exagerado do que dar a elas liberdade de escolha. Se queremos uma sociedade boa para todos, não podemos nos dar ao luxo de termos algumas liberdades, não é mesmo? Ainda que eu seja solteiro, sem filhos, sozinho, não posso comer a gordura da picanha e entupir minhas artérias até ter um piripaque e morrer, “eles” sabem o que eu posso ou não, sabem o que é melhor pra mim.
E aquele sorvete de saquinho, que tem vários nomes e na minha vizinhança a gente chamava de geladinho, logo mais será proibido, além de muito açúcar é embalado em plástico, e plástico é coisa do demônio. As cervejas logo serão todas sem álcool, o vinho será suco de uva, mais simples do que educar as pessoas a não dirigirem bêbadas é tirar o álcool da bebida.
Enfim, eu acho que estamos numa época em que o Estado se mete em muitos assuntos que deveriam ser preocupações individuais ou familiares, e deixa de lado o que eles realmente deveriam cuidar. Só espero não estar mais vivo no dia em que proibirem o uso da descarga e do papel higiênico, estaremos cuidando da natureza, mas também ficando um pouco mais porcos. Ops! Acho que estou ofendendo essa espécie que sempre sofreu tanto com comparações preconceituosas. Que nenhum membro mais radical da Sociedade Protetora dos animais me leia...
terça-feira, 22 de março de 2011
O modelo de mulher
Ultimamente tenho me deparado com reportagens, pesquisas e situações que me fazem ver como o que se considera uma mulher atraente mudou. Tenho visto também algumas consequências dessa mudança.
Algumas semanas atrás li uma pesquisa em que 50% das mulheres deixariam de fazer sexo se isso fosse fazê-las emagrecer. Dia desses vi outra, em que 52% das inglesas não têm feito sexo por vergonha de alguma gordurinha ou imperfeição. Ok, a pesquisa é com inglesas, mas duvido que aqui, na terra das mulheres-frutas-siliconadas, o resultado fosse tão diferente. Mas o que me fez ver que as referências realmente mudaram foi um quadro do Pânico na TV, em que eles buscam uma nova Panicat. Anteontem, 3 das candidatas pularam de bungee jump. Uma delas malhada, sem exageros, tudo em cima, gomos no abdômen; a segunda, uma gaúcha muito bonita, magra, sem coxas mais musculosas que de um jogador de futebol, rostinho de mulher e a terceira uma dentista bombada, com ombros de jogador de basquete, coxas de fisiculturista e maxilar quadrado, traços masculinos. O próprio pessoal do programa babou nela algumas semanas atrás, quando a descobriram em alguma praia, disseram que era um espetáculo.
Daí vem minha perplexidade: quando foi que nós começamos a considerar as mulheres anabolizadas as mais atraentes? Falo por mim, mas certamente por outros homens, uma mulher que na academia levanta mais peso que você, abre o vidro de palmito fazendo menos força e que você não possa ser cavalheiro e emprestar suas blusas quando esfria porque as costas dela são mais largas que as suas, não é algo atraente ou excitante.
Professores de Educação Física, médicos e nutricionistas podem falar com muito mais propriedade sobre isso, mas, pelo que sei, mulheres dificilmente ficam tão fortes só se exercitando devido à menor quantidade de testosterona que circula no organismo feminino. Conheço mulheres que fazem musculação há anos, se alimentam bem, e não têm os bíceps maiores do que os meus (que não são grande coisa mas são de um homem que se exercita). Nessa busca pelo corpo perfeito estão perdendo a noção do que é feminino, estão tomando hormônios masculinos e tudo que é porcaria, ganhando maxilares quadrados e voz de pato e talvez um câncer no futuro. O resumo disso foi uma big brother ficando maravilhada por menstruar após anos, período causado pelos hormônios masculinos pra ficar “malhada”. Reparem na voz de pato, se não é parecida com a de algumas assistentes de palco de programas de TV. Isso sem falar nas mulheres fruta, que colocam silicone nos peitos, na bunda, na perna e sei lá mais onde.
Por favor, mulheres, não tenham vergonha de celulite, não achem que não ter gomos na barriga é defeito, não se preocupem com um baconzinho ali nas costas. Mantenham seu corpo de mulher, sua voz e seu rosto de mulher. E mais importante, não deixem de fazer sexo por não estarem como as mulheres da TV. Além de homem nem saber direito o que é celulite, sexo também emagrece...
terça-feira, 15 de fevereiro de 2011
Ronaldo!
Não, eu não vi Pelé. Não vi Garrincha, vi Maradona só em final de carreira e Zico só no Japão, com seus 40 anos. Mas eu vi Romário no auge, vi Rivaldo, vi Ronaldinho Gaúcho, vejo Messi, vi Zidane. Mas, principalmente, eu vi Ronaldo.
Vi o moleque que surgiu no Brasileirão de 93 conseguir uma vaga na Seleção de 94, deixando de fora gente como Edmundo, Renato Gaúcho, Evair. Vi o surgimento do apelido Fenômeno, vi seus dribles e arrancadas, vi gols que juntavam força, velocidade, inteligência e habilidade. Vi um jogador que não sabia cabecear mas pedalava pros dois lados e chutava com as duas pernas com enorme facilidade, que levava chutes e trombadas e não caía. Ouvi Galvão Bueno eternizar o Rrrrrronaldinhoooo.
Vi suas contusões, ouvi e vi muita gente dizer que ele estava acabado pro futebol. O vi ressurgir e se tornar artilheiro da Copa de 2002 fazendo dois gols na final, em uma parceria com o Rivaldo que deixou saudades, na maior emoção esportiva que tive até hoje. E olha que vi Senna ganhar campeonatos, vi o Cielo vencer a Olimpíada, vi títulos incontestáveis do vôlei, vi meu time ser campeão, vi a Maureen Maggi conquistar o ouro 8 anos depois do doping que a tirou da olimpíada em que era favorita.
Em julho de 2006 o futebol ficou mais triste, assim como fica agora em fevereiro de 2011, Zidane e Ronaldo, os melhores que já vi, os melhores dos últimos 20 anos pararam. Espero que o Messi mantenha o nível das atuações, e passe de craque a fora-de-série ou, quem sabe, Neymar e Ganso confirmem nossas expectativas e daqui 20 anos estaremos falando deles como hoje falamos de Zidane e Ronaldo. Se isso não acontecer, será uma pena para os mais jovens
Mas o que importa é que eu vi Ronaldo jogar. Com ele sempre parecia fácil dominar uma bola, dar um drible, chutar no momento exato. Alguns torcedores de clubes rivais do Corinthians vão dizer que ele estava gordo, que não fazia nada há tempos. Felizmente, na minha memória ficarão seus bons momentos, seus muitos gols e títulos e de como foi decisivo pro meu time nos títulos Paulista e da Copa do Brasil em 2009, Obrigado Ronaldo, você foi um gênio do esporte e o futebol com você foi muito melhor de se ver.
quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011
Cinema sem pretensão e pseudo cults
Eu vi Mercenários e achei legal porque não se leva nem um pouco a sério, o filme que mais vi na vida é Curtindo a Vida Adoidado, um exemplo de diversão despretensiosa, e quando criança devo ter visto aquele filme da gosma rosa no Cinema em Casa umas 4 vezes no mínimo. Também vi o Sétimo Selo do Bergman e gostei, vi Deus e o Diabo na Terra do Sol e não via a hora de acabar, aluguei uma comédia com aquele baixinho, Rob Schneider, e devolvi sem ver até o fim de tão chata. Você se pergunta: “Tá, e o quê você quer dizer?” Quero dizer que, para mim, cinema é uma questão de gosto e também de estado de espírito. Porém, muita gente não pensa assim, e chamo algumas dessas pessoas de “pseudo-cults”, pessoas que acham que o cinema só serve para passar alguma mensagem profunda ou para nos fazer pensar dias e dias sobre a visão que o diretor ou roteirista queria passar.
Claro que o cinema pode servir para isso, afinal, pensar não faz mal a ninguém. Já vi filmes bem interessantes que me levaram a alguma reflexão, mas acho que cinema também pode ser entretenimento puro e simples, sem muito compromisso com mensagens, filosofias ou dogmas. Dependendo do meu estado de espírito quero simplesmente dar risada, ver o Steven Seagal espancar 18 sem despentear o cabelo ou o Clint Eastwood matar cinco bandidos com quatro tiros, num dos seus faroestes clássicos.
Os pseudo-cults taxam tudo que não tem certa aura intelectualoide de lixo e sempre achei isso um saco. Na faculdade vi como eles são realmente chatos e algumas vezes patéticos. Em uma mesa de bar ou reunião qualquer, começavam a repetir algo que leram em alguma crítica (provavelmente escrita por algum pseudo-cult) sobre o último filme da Escola Expressionista de Vanguarda Lituana, mesmo que eles nem tivessem visto o filme e muito menos soubessem onde fica a Lituânia. Quando me perguntavam, eu fazia questão de dizer que não conhecia o assunto, e às vezes via a cara de desprezo por minha suposta ignorância, embora eu ao menos soubesse onde fica a Lituânia. Hoje, acho que deveria ter sido mais anárquico: “Olha, não sei os princípios do Dogma, mas ver uma insinuação de boquete na Loucademia de Polícia aos 6 anos influenciou minha visão de mundo”.
sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011
Intolerância
Na quarta-feira o Corinthians foi eliminado da Libertadores da América de uma maneira que todos consideraram vexatória. Horas depois, torcedores invadiram o Centro de Treinamento, picharam muros (algumas vezes uma forma válida de protesto) e quebraram vários carros. O que leva alguém a ter tal reação? Alguns dirão que é a paixão pelo time do coração, outros, que os jogadores mercenários mereceram, ainda que carros de roupeiro e massagista tenham entrado na dança. Para mim a razão é outra: intolerância.
A intolerância é a raiz de muitos dos problemas e da maioria dos casos de violência em nossa sociedade. Foi a intolerância ao diferente que tornou possível ao nazismo matar tanta gente, é a intolerância que faz alguém se sentir no direito de quebrar uma lâmpada na cara de quem tem uma orientação sexual diferente da sua e foi a intolerância à derrota e à frustração que fez esses torcedores invadirem o CT e quebrarem tudo . O que não entendo, o que não me agrada, o que é diferente do meu modo de vida, eu não tolero e, se não tolero, porque deveria respeitar?
O modo de vida moderno, em que vivemos em bolhas com gente muito parecida conosco contribui para que a gente conviva cada vez menos com quem é diferente. Vivemos em condomínios com gente de poder financeiro semelhante, nos escondemos em shoppings freqüentados por gente que se veste como nós e compra as mesmas coisas que compramos. As crianças de classe média e as mais ricas crescem sem nunca ter falado com um garoto pobre, visto sempre como uma ameaça. Os adultos de amanhã acham que aquele garoto pobre que joga bolinhas pro alto no semáforo é um extraterrestre, um monstrinho que veio ao mundo pra tirar sua paz, seu dinheiro e até sua vida. Aquele garoto pobre acha que o menino rico é só mais alguém que no futuro vai torcer pra ele levar um pipoco da polícia, mais alguém a excluí-lo.
Estudei a vida toda em escola pública, vivia em um bairro próximo de áreas bem pobres, inclusive uma favela. Joguei bola com esses garotos, sabia o nome de alguns e eles o meu, saí na porrada com alguns deles (bem poucos, sou da paz, quase sempre, rss). Não sou nenhum exemplo de integração, não sou daqueles que param pra conversar com um mendigo para saber o que ele sente, o que ele pensa da vida e da sociedade, mas me sinto privilegiado por ter crescido assim, fora da bolha. Tenho medo de como será o futuro, com o mundo comandado por gente que quando criança ia do condomínio pra escola particular cheia de seguranças, dali pra aula de natação no clube e de lá pro shopping, sempre de motorista (ainda que o motorista fosse o pai ou mãe) e nunca tendo de se virar. Qual o grau de tolerância que essas pessoas terão? Será que se sentirão no direito de bater em gays ou colocar fogo em mendigos, pois eles não são iguais?
A intolerância é também uma das raízes da falta de liberdade. Alguém mal vestido não entra em uma daquelas ruas fechadas, que vemos muito em alguns bairros de São Paulo, alguém muito bem vestido, não tem coragem de entrar em uma favela onde acha que vai ser assaltado ou até morto. Nossa liberdade de ir e vir é cada vez menor, pois não nos sentimos seguros, e trocamos nossa liberdade por segurança ou pior, por uma sensação de segurança. Coloco grade nas janelas, faço um muro de 4 metros e coloco nele uma cerca elétrica pra me proteger. Perco minha liberdade de ver a rua, de poder pular a janela se perder a chave da porta. São coisas pequenas, que muita gente acha uma besteira, mas sei lá, eu acho que prefiro o risco de ter alguma liberdade à segurança total. Claro que aí também entra a questão econômica e social, mas isso pode ser assunto para um próximo post.
terça-feira, 28 de dezembro de 2010
Natal
Final de ano, Natal = reunião de família. Pra mim, Natal sempre teve esse significado. Era a época em que todos meus tios e primos que moravam fora vinham pra casa dos meus avôs, tinha ceia, presentes, alguma confusãozinha entre a criançada, alguns berros, cerveja, vinho, refrigerante, panetone, peru, tender e um bolo pro meu tio que fazia aniversário no Natal.
O tempo passou, a ceia passou aqui pra casa, minha mãe fica correndo o dia todo, meu pai arruma o quintal, agora são só 3 crianças e um monte de primos e primas já marmanjos. Netos tomando cerveja, às vezes muita cerveja, cachorros, chuva, não tem mais bolo, não tem mais meu vô. Minha mãe sempre diz que queria que as pessoas ficassem mais tempo, mas 1h30 já foi todo mundo embora. Alguns primos vão pra balada beber mais um pouco e passar calor já que ela tá sempre lotada.
Como toda família, a minha tem suas peculiaridades, mas acho que a que mais chama a atenção é que boa parte da família é digamos assim, meio seca... Isso não é uma crítica, eu com certeza sou um dos mais secos. Isso também não quer dizer que as pessoas não se gostem, só que aquele monte de “eu te amo” que a gente vê nas novelas e filmes não acontece muito por aqui. Alguns são mais carinhosos que outros, mas acho que eles acabam ficando até constrangidos em demonstrar. E assim segue o Natal, um tio planeja a pescaria do dia 26 ou 27, outro assa a carne no almoço do dia 25, come e vai tirar um cochilo, o primo mais velho vem pro almoço e à noite a gente vai pro bar, beber um pouco mais.
Resumindo, é todo ano a mesma coisa. Ok, eu fiquei careca, as pessoas tão mais velhas, dá pra notar quando vemos as fotos. Sabe a hora das fotos só dos netos, só das noras, só dos filhos, só de quem está de azul, só de quem é canhoto e assim por diante, até a hora que alguém se enche e sai da foto? A verdade é que eu gosto muito dessa reunião anual. Uma parte do que sou, defeitos e qualidades, vem dessas pessoas. É a minha família, e apesar dessa minha frieza sei que se eu precisar posso contar com eles, como inclusive já contei.
Já não faço mais planos de mudar, de ser mais afetuoso ou ao menos mais comunicativo. Fiz algumas vezes e não mudei, quem sabe no momento em que eu estiver mais satisfeito comigo mesmo eu melhore com os outros? E como esse ano parece que algumas coisas realmente já estão começando melhor, próximo Natal posso ser, digamos, mais simpático... Por enquanto posso torcer pra que nessas poucas vezes em que todo mundo se reúne eu continue me sentindo bem ao estar ali, apesar de esse ano ter sentido sono bem cedo. Tudo bem, deve ser reflexo dos 30 Natais que já vivi, com essas mesmas pessoas, com essa mesma família.
terça-feira, 21 de dezembro de 2010
O que irritou em 2010
Final de ano, e com ele vêm as famosas listas. Já vi uma parecida no site da revista Superinteressante e aqui vai a minha, 9 coisas que mais encheram o saco em 2010. Bom, pelo menos o meu...
Sergio Cabral e suas pérolas
O governador do RJ resolveu seguiu outro político bem conhecido e soltou algumas pérolas em 2010. Xingou o moleque que reclamou da quadra na favela, disse que todo mundo teve namorada que precisou fazer aborto, só faltou dizer que a iraniana Sakineh era uma vagabunda que tinha mais de levar pedrada mesmo. Mas, pra quem já teve o Garotinho no governo, o Rio de Janeiro ainda está no lucro.
Movimentos musicais com a rebeldia de... uma freira
Se é verdade que cada época tem o movimento jovem que merece, fico deprimido em constatar que os de agora são o dos emos e dos coloridos tipo Restart. Jeitinho de bocó, vozinha afeminada, cabelos esquisitos, fãs chorões e letrinhas farofa que parecem todas iguais, além do Fiuk, que de bom só tem a irmã, a delicinha da Cléo Pires.
Simpatizantes políticos xiitas
Foi bem difícil passar meses recebendo e-mails dizendo que a Dilma era uma terrorista desalmada ou que o Serra ia vender o país pros malvados norte-americanos. Confundiram debate político com intransigência, como se o mundo fosse feito de mocinhos e vilões, como nos desenhos animados. Os petistas não admitiam os avanços que começaram com FHC e os tucanos não viam as melhoras que ocorreram em 8 anos. Resultado: cada um deles se juntou com uma corja e ano que vem teremos a Dilma governando ao lado de Sarney e Paulinho da Força, o que não é muito diferente do Serra governando com Caiado e Bornhausen.
Dunga
Taí um cara chato que deve ter irritado todo mundo, até a própria família. Sob a justificativa de “comprometimento” (palavra da moda), convocou jogadores fracos e deixou de fora outros que poderiam decidir partidas, só porque alguns desses não são “modelos de comportamento”. Destilou toda sua amargura e rancor contra jornalistas, ex-jogadores e quem mais estivesse pela frente, sempre com a ajuda do evangélico mais raivoso que já vi, o seu Sancho Pança, Jorginho. Não bastasse isso tudo, deu as costas pro time na derrota pra Holanda, o que mostra o grande líder que é.
Galvão Bueno
Bom, sobre ele nem há muito o que dizer, o cara é sempre um dos mais irritantes, ano após ano. Na Copa conseguiu fazer várias pessoas gostarem do Dunga só por que o Dunga não gostava dele. Sua mais recente “galvanice” foi encasquetar que o Inter era o Brasil no Mundial de Clubes, sendo que a maioria dos torcedores dos outros times acharam muito engraçado a sova que levaram do Mazembe.
Espaço dado a Geyse Arruda e outras “celebridades”
Sim, eu também achei um comportamento digno da Idade Média o que fizeram com ela na Uniban, agora por que todo esse espaço pra moça? O que ela tem a dizer? Nas duas ou três vezes que a vi falando, constatei que nada. Mais um produto duma sociedade cujo programa de TV mais discutido no ano é o Big Brother com seus fortões e gostosas dizendo que são “autênticos, que não levam desaforo pra casa e que fulano está jogando”.
Repetições de cena do Pânico na TV
Ta bom, isso deve irritar só a mim e algum outro neurótico, mas que dá vontade de trocar de canal quando eles começam a repetir por quase um minuto uma cena ou fala, isso dá. Em alguns dias de tolerância zero, eu troquei.
Vampirinhos esquisitos
Como pode ser tão endeusado um vampiro que brilha e não transa com a namorada que está transbordando, digamos, “hormônios”? Mas isso não me irritaria se o filme dele não ficasse 4 ou 5 semanas em cartaz aqui em Avaré, em um cinema que só tem uma sala. Ou seja, o vampirinho sensível não me deixou ver outros filmes que poderiam passar no lugar do dele.
Pessoas que reclamam do tempo não importa como ele esteja
As pessoas passaram meses reclamando que o calor não começava logo. Quando começou, passaram a reclamar que tava muito abafado, muito quente. Aí esses dias refrescou, choveu, e reclamaram disso. Em suma, enche o saco gente reclamando do tempo toda hora, insatisfeitos sempre. Eu já defini, reclamo quando tá frio, não gosto de frio. Hoje começa o verão e eu quero mais é passar calor mesmo.
Listas de final de ano
Todo final de ano é a mesma coisa, fazem lista de tudo, quem “bombou”, quem surgiu, quem morreu, quem nasceu... Bom, mas eu precisava de um post de final de ano, então fiz mais uma que espero que não tenha irritado muito.
quarta-feira, 1 de dezembro de 2010
Ocuparam, e agora?
Certo, o governo tomou o controle do Complexo do Alemão, apreendeu um monte de arma, drogas, vai instalar uma UPP, os políticos vão faturar em cima da operação e tudo mais que era esperado. Mas... e agora??
Essa operação vai servir pra que nosso país repense a política educacional? Afinal, não se trata apenas de uma questão de “mocinho x bandido”, mas de algo mais complexo e com raízes bem antigas. Vai servir pra que comece uma limpeza dos corruptos que estão tanto na polícia quanto nos órgãos do governo? Vai servir pra que medidas contra o tráfico, tanto de drogas quanto de armas sejam adotadas? E os grandões, aqueles q lucram com o tráfico mas tão lá nas coberturas da Barra, vão continuar numa boa ou alguém vai ter coragem de mexer com eles?
Se ninguém for fazer mais nada além de brincar de polícia e ladrão, vai ser como enxugar gelo, prenderam e mataram uns traficantes aqui, logo surgem novos ali, e o problema continua o mesmo.
E as milícias? Será que vai ser como no Tropa de Elite 2? Traficantes colocados pra fora, ela entra, toma conta, e a vida de quem mora nas comunidades continua sendo um inferno, sempre nas mãos de alguém, já que o Estado não faz a parte dele?
Não sou especialista em segurança, nem em educação, não sou político, não sou antropólogo, sociólogo, policial ou traficante, mas sinceramente, espero que não. É só pensar um pouco pra ver que era necessário tomar o controle do lugar, ainda mais depois do clima de guerra que havia se estabelecido com os ônibus queimados, mas se for uma ação isolada não vai ter muita serventia. Sem falar nas denúncias de abuso de poder, de facilitação de fuga de traficantes, sumiço de dinheiro apreendido, mas isso pode ficar pra um próximo post
Por hora fica a pergunta: E agora??
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